sábado, 15 de junho de 2013

Como tudo começou...


Quem leu  o meu primeiro post já sabe que eu sou bipolar e que eu descobri isso há cerca de 1 ano. Ao longo desse período muita coisa mudou na minha vida, inclusive eu. E eu gostei bastante de todas essas mudanças.
Os pacientes de transtorno bipolar do humor (TBH)  apresentam diversos sintomas comportamentais que são bastante influenciados pelas alterações psicológicas e emocionais que eles sofrem. Os sintomas do transtorno bipolar podem variar de acordo com o paciente. Depois eu vou fazer um post específico sobre todos os sintomas e as fases do TBH... hoje eu vou me limitar a falar quais são os sintomas que eu apresento e desde quando eu comecei a ter crises de humor.
Primeiramente, eu acho necessário enfatizar que o acompanhamento com especialistas (psiquiatras e psicólogos) é muito importante para que o paciente possa reconhecer que é bipolar e analisar com mais clareza o seu comportamento e as suas emoções. Eu digo isso, porque comigo foi assim. As sessões com a minha primeira psicóloga me ajudaram a abrir a mente e analisar o meu comportamento de forma mais critica. E isso me induziu a buscar na memória qual fase da minha vida eu comecei a ter crises de humor, com qual frequência elas ocorriam, quanto tempo elas duravam e como eu me sentia depois dessas crises.
Eu sempre fui uma boa aluna, minha aprendizagem é rápida. Eu amo ler, amo escrever e amo aprender. É bom descobrir coisas novas e poder tirar as minhas próprias conclusões sobre os fatos que acontecem a minha volta. Grande parte das pessoas prefere usar conclusões “emprestadas”. Rsrs Eu sempre fui reservada e seletiva com as minhas companhias, porém eu sou muito comunicativa e não acho que eu tenha dificuldade para fazer amizades. Esse tipo de comportamento é normal na maioria das pessoas né?! O que não o motivo pelo qual eu me comporto assim. A maioria dos bipolares tem o ego muito grande e se consideram o máximo e é assim que eu me sentia por volta dos meus 17 anos. Eu me achava a pessoa mais inteligente, mais bonita e pensava que nada (NADA) poderia acontecer comigo, era como se eu fosse inatingível sabe?! É assim que eu me sentia durante o meu período de “mania”. Soberba, impaciente, metida, extremamente crítica, imprudente,inconsequente, compulsiva, arrogante e com a autoestima elevadíssima. E eu me comportei dessa forma até os meus 22 anos, hoje eu tenho 23. Minha irmã fala que, antes do tratamento, conviver comigo não era uma coisa muito fácil durante as crises de mania.
As pessoas me irritavam profundamente, principalmente as menos inteligentes. Eu não tinha paciência pra repetir uma coisa 2 vezes, pra ensinar e, as vezes, nem pra conversar com outras pessoas que eu não julgasse interessante. Você deve estar pensando: nossa, que garota insuportável! Né?! E eu concordo com você. A questão é que antes eu não me importava, a única pessoa que me importava era eu, as opiniões que faziam diferença pra mim eram as minhas e as das pessoas que eu achava que possuíam credibilidade intelectual suficientes para interferir na minha vida.
Eu acabei de descrever a Suzanne 1. Rsrs
A Suzanne 2 é bem diferente, ela tem a autoestima baixa, acha que ninguém gosta dela e nem poderia gostar, pq ela é cheia de defeitos. É super depressiva. Acha que o mundo inteiro está contra ela e que os problemas dela são os piores do mundo. O interessante é que ela nunca se culpa pelos próprios problemas, ela pensa que tudo é causado por pessoas próximas a ela, os familiares principalmente. Ela se sente sem amigos, sozinha e morre de medo das pessoas. A única vontade que ela tem é de ficar trancada dentro do quarto sozinha e chorando, pq lágrimas não faltam. A Suzanne 2 vem e vai com muita rapidez e as vezes muita frequência. Eu lembro de ter ficado desse jeito por até quase 1 mês contínuo. É incrível a angustia, a tristeza, a incapacidade e os sentimentos ruins que tomam conta de mim durante esse período. Não é fácil passar por ele... mas depois que passa, eu me sinto a pessoa mais idiota do mundo por ter me deixado abalar por coisas tão fúteis e insignificantes. Eu me torturo mentalmente por ser tão fraca e tento mostrar pra mim mesmo como eu sou capaz e como ficar triste é bobagem. Eu levanto a cabeça e é como se nada tivesse acontecido e meus dias fossem sempre felizes e alegres.
A Suzanne 1 e 2 ficavam alternando entre si constantemente e isso me causava um grande desgaste psicológico, meus pensamentos eram muito acelerados.. .tão acelerados que eles se atropelavam. Era como se eu estivesse presa em uma sala com 20 pessoas e todas estivessem falando ao mesmo tempo em monólogos de assuntos diferentes. Consegue entender a agonia?! Eu não dormia! O auge das minhas crises foi quando a Suzanne 1 e 2 ficaram trocando de lugar por cerca de 3 meses e em intervalos de tempo mto curtos.. durante esse período eu terminei com o meu ex-namorado, pedi pro meu chefe me demitir (e olha que amava o emprego, amava mesmo!), fiquei 2 meses sem dormir (isso é sério, eu não dormia! E quando dormia era cerca de 1 ou 2 hrs por noite, e não tinha coxilos a tarde), comecei a ter hábitos que antes não faziam parte da minha rotina, eu saía de quinta a domingo, não me importava com as matérias da faculdade, pq eu sabia que conseguia aprender a matéria do bimestre em 3 horas de estudo. Era negligente com os prazos de entrega da minha monografia, eu cheguei a escrever o 1º capítulo, com 12 páginas, em 2 dias.. pq a única coisa que me motivava a fazer as coisas era a adrenalina. Comecei a beber com muita frequência e sem limite, e só bebidas destiladas. Sabe aquela história de que vodka não é água?! Então... e o álcool tem um efeito mto prejudicial em quem é bipolar, se nós já nos sentimos invencíveis sobreos, imagina bêbado ;x Mas a euforia que o álcool provoca e o jeito como ele consegue acalmar os meus pensamentos é realmente muito interessante... nossa, eu quase esqueci de contar sobre as minhas constantes crises de enxaqueca que aconteciam (e continuam acontecendo) todas as vezes que o meu emocional ficava abalado. Isso tudo, foi entre abril e julho do ano passado.
Foi aí que a minha mãe viu que eu não estava bem, que o meu comportamento não era normal e que eu precisava da ajuda médica. Minha família é evangélica, então dá pra imagina como eles repudiavam o meu comportamento, as minhas idas pra balada e o jeito como eu voltava pra casa neh?! E quando eu me coloco no lugar dela, eu sinto muita vergonha de tudo que eu fiz e do jeito como eu tratava as pessoas, principalmente a minha mãe e minha irmã, que são as pessoas mais próximas de mim e que eu acho que são as que mais sofreram comigo, com todas as minhas más respostas, falta de amor e companheirismo... mas mesmo assim, elas ficaram do meu lado. Minha mãe marcou uma consulta com um psiquiatra que atendia alguns familiares meus. Me levou. Eu fiz um mapeamento cerebral que mostrava a produção e a absorção de hormônios no cérebro. E o resultado foi que o meu cérebro não absorve serotonina, que é a substância responsável pelo bem-estar, pela alegria... e depois que o médico viu meu exame e minha mãe contou pra ele como era o meu comportamento, ele me diagnosticou como bipolar. O que eu mais achei interessante, foram as coisas que minha mãe contou pra ele. Nós duas não tínhamos uma boa relação, tínhamos muitos conflitos de personalidade e opiniões. Nós não passamos muito tempo juntas, pq nossos horários sempre se chocam. Mas mesmo assim a minha mãe sabia exatamente o que estava acontecendo comigo, soube falar sobre as minhas crises de humor, a minha frieza com relação as outras pessoas e também sobre várias outras coisas que eu nunca imaginava que ela estava percebendo...
Ouvir que eu sou bipolar não foi fácil, eu me senti horrível... fiquei com mto medo. Pq meu pai é bipolar e eu já vi muitas crises dele e elas não eram muito agradáveis. Eu também sabia histórias de bipolares que surtavam durante as crises e fugiam, faziam coisas inacreditáveis, provocavam o desespero das suas famílias e depois voltavam ao estado normal como se nada tivesse acontecido, pq eles não se lembravam de nada que tinham feito. Isso me deixou mto assustada e eu fiquei com receio de que isso acontecesse comigo. Minha mãe acha que eu sou pessimista, mas eu acho que eu sou realista pq há sim chances disso acontecer. E é por isso que eu aceitei fazer o tratamento, aceitei a minha condição de bipolar e me dedico, com bastante disciplina, cumprindo todas as orientações médicas e tomando minha medicação nos horários certos.
Hoje eu acho que estou bem melhor, eu me sinto melhor. Meus pensamentos estão bem mais ordenados, eu consigo raciocinar melhor e eu não sinto tanta agonia, como eu sentia há 1 ano atrás. Minhas crises diminuíram bastante, apesar da Suzanne 2 aparecer as vezes pra me visitar. Infelizmente eu não consigo dormir sem medicação, e não tenho esperança de um dia conseguir. Eu consigo conviver melhor com as pessoas, não sou tão seletiva e nem tão soberba como eu era antigamente. Acho que hoje eu consigo me relacionar sem ferir ou ofender o sentimento das pessoas, pelo menos não com a mesma frequência de antigamente. Eu sou mais sensível, menos agressiva, eu gosto mais das pessoas e tenho mais paciência. Minhas colegas de trabalho acham até que eu sou calma demais... isso é realmente um avanço. Kkk

Por hoje chega de informações, acho que falei até demais. Mas agora vocêss já tem uma base melhor de como eu me sentia pré e pós tratamento e como eu me senti ao descobrir que eu sou bipolar... nos próximos posts eu vou contar mais sobre o meu tratamento, os remédios que eu tomo e já tomei, alguns episódios das minhas crises e também como é meu dia a dia.

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