Eu estava lendo algumas reportagens e blogs que falam sobre o trastorno bipolar e achei muito interessante esse texto que eu li no site: http://www.bipolarbrasil.net/. Achei um texto claro e que evidencia muito bem a importância de um bom ambiente familiar para o sucesso do tratamento...
"Eu resolvi passar por aqui aqui para deixar um texto sobre ambiente familiar e qual a importância que isso tem para o tratamento do transtorno bipolar do humor, assim, como a harmonia de todos os entes.
Você recebe o diagnóstico de bipolaridade, decide então se tratar, fazer terapias, pesquisar sobre a doença... Está convencido de que se fizer assim as chances de recuperação de sua qualidade de vida se ampliam e muito... E você está certo!
Tudo certo para iniciar.... Medicamentos comprados, terapias agendadas, informações sobre a doença em mãos... E então...
E então, você percebe que falta um item indispensável: o ambiente familiar favorável ao seu tratamento.
Quantas vezes nós bipolares decidimos fazer o nosso melhor e se tratar, mas a família parece não reconhecer a doença, e pior, contribui para que o tratamento vá de mal a pior?
Eu acredito que sem apoio e compreensão familiar ficará muito difícil o tratamento dar certo. O ambiente familiar favorável é fundamental. As informações que você pesquisa por exemplo - aqui no Bipolar Brasil e outros sites da internet - tem que ser compartilhada com àqueles que convivem com você.
É importante alertar sobre todos os tópicos da doença e quanto é importante todo o tipo de apoio. Isso incluí um ambiente sem fatores estressantes por exemplo.
Quantas famílias diante dos problemas do dia-dia ecoam berros, gritos e muita confusão?
Quantos bipolares têm pais que os reprimem, que não reconhecem a doença como verdadeira? Como se fosse mais uma "manha" de seus filhos... E quantos cônjuges e/ou namorados (as), se pegam a dizer: Hei! Oscilação de humor é normal, todo mundo tem... Isso não doença não. Deixa de frescura...
É amigos, oscilação de humor parece mesmo que todos possuem, entretanto, “episódios destrutivos” provenientes de oscilação de humor... Ah... eu creio que não.
Este texto não é para criticar os menos esclarecidos sobre a doença, é pelo contrário uma tentativa de que através da informação adequada àqueles que são mais próximos de nós - nossos familiares -, esses possam ter consciência de que você faz um tratamento psiquiátrico - que diga-se de passagem, não é nada confortável -, que o apoio dos seus entes queridos é muito importante para que você não deixe a peteca cair.
Não é nada divertido sofrer de transtorno bipolar do humor. E devemos deixar isso claro aos nosso familiares. Não devemos também utilizar a bipolaridade como “muleta” para que a atenção se volte para você, somente para você.
Problemas todos tem, mas com certeza se cada um fizer sua parte para não interferir negativamente no problema do outro, então melhor. Fazer o contrário então, perfeito. É quando um ajuda o outro.
Eu penso que só com informação e amor podemos mudar o quadro antes pintado pelo preconceito.
Com informação, nossos familiares poderão perceber o quão é importante manter um ambiente tranquilo e harmonizado. De que adianta pilhas de medicamentos, horas de terapia, se quando você bipolar, que está em sua casa descansando - ou queria isso -, parece que tudo está contra você? São críticas e mais críticas. Você não tem sossego.
Isso ocorre primeiro porque há resistência na família contra doença mental - eu li algum texto um dia desses, que o primeiro momento, aquele que você recebe o diagnóstico - dificilmente seus familiares estarão do seu lado... É como se eles passassem por um período de negação inicial.
Após algum tempo, eles começam a compreender que seu problema é sério e que você precisa de apoio para ir em frente. Alias, até você mesmo vai perceber com o tempo de "paciente de transtorno bipolar", o quanto você precisa se tratar.
Já vi vários casos de pessoas que param o tratamento, então voltam, e isso se repetir algumas vezes... Comigo já aconteceu algumas vezes também.
O fato é que todos tem de se conscientizar que sem tratamento as coisas ficarão mais difíceis.
Para que esse momento chegue mais rápido - o da consciência da doença - é importante que você converse abertamente com o seus familiares sobre o momentos de estresse que gostaria de evitar. E que isso não é só bom para si, mas para todos.
O que quero dizer é que há famílias onde a guerra impera. É fofoca, brigas, discórdias, mágoas e por aí vai... No meio disso tudo se encontra você: um bipolar em tratamento.
Harmonizado o ambiente e todos fazendo sua parte de distribuir amor e não doses de raiva, as chances de um tratamento eficaz é enorme.
Outro dia li um relato de um amigo - que não quis que eu publicasse -, dizendo o quanto sonhava que seus pais aceitassem seu tratamento e lhe apoiassem para que ele melhorasse. Os pais simplesmente trataram do assunto com desdém e pouco quiseram se envolver. Não sabiam por exemplo nem mesmo os medicamentos que o filho tomava. Faltava envolvimento. Faltava apoio para que o filho continuasse firme naquilo que poderia melhorar a qualidade de vida de todos os envolvidos. O filho, dizia-me: Não sei se vou aguentar, amigo Will. Já estou no meu limite... Pior que a doença, é não ter apoio das pessoas que você mais espera.
Já outro caso se tratava de um rapaz que sempre que chegava da faculdade tinha de conviver com altas discussões. Tudo que estava errado, ele era o culpado. Chegou a ter crises de depressão sérias que o levaram a internação. Seus pais foram lhe visitar e brigaram com o médico achando um “absurdo” que seu filho que estudava, estava cumprindo com suas responsabilidades, ser classificado de “maluco” e ser internado. Detalhe: o filho pediu a própria internação, pois, entrou numa crise de estresse crônico ou algo assim.
Esses são alguns casos, existem outros aos milhares espalhados por aí.
Ambiente familiar costuma mesmo ser conturbado, entretanto, nós bipolares ou não devemos estabelecer ou tentar buscar a paz. Comece conversando sobre seu tratamento e quanto é importante para você a paz no lar. Explique que fatores “estressores” podem desencadear crises, que lhe trazem grande sofrimento.
Se alguém tem um grande "calo" no pé em sua família, pergunte se ele ou ela gostaria que você desse um pisão? É uma analogia para tentar dizer que todos nós temos problemas sim, uns maiores ou menores do que transtorno bipolar do humor, mas o que é certo, é que ninguém deveria pegar esse problema e transformar eles em coisas piores, pisando nos calos, por exemplo.
Temos que observar que nem sempre o vilão da estória nos “quebra paus” que existem nas famílias começaram ou tiveram origem naquele que é bipolar. Ao invés de acharmos culpados, vamos criar estratégias para que famílias voltem a ser famílias.
Eu sei que vivemos numa sociedade fragmentada e individualista, não vejo isso como um problema... Entretanto, não podemos perder o dom de amar o nosso semelhante. Não podemos deixar de ser pais, de ser irmãos e/ou cônjuges. Enfim, deixar... deixar... tudo de lado, porque não nos interessa, ou porque não temos tempo.
Devemos portanto lutar sim por nosso tratamento - medicamentos, terapia etc... -, mas principalmente fazer uma “higienização do ambiente familiar” como um processo muito importante.
Que tal um bom bate papo com os familiares sobre como todos podem fazer sua parte para que todos fiquem bem."
Fonte: Bipolar Brasil

http://www.youtube.com/watch?v=A88agZ4r-Xo
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